Por toda a bíblia notamos o constante cuidado de Deus com a formação do caráter do seu povo. Antes mesmo que Israel entrasse na posse da Terra prometida, Deus determinou: “ajuntai o povo, os homens, as mulheres, os meninos e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, para que ouçam, e aprendam, e temam ao Senhor vosso Deus, e cuidem de cumprir todas as palavras desta lei”. (Dt 31.12)           Ao prosseguirmos no estudo das sagradas Escrituras, vemos que o cuidado com a educação religiosa faz parte das responsabilidades dos sacerdotes, reis e profetas de Israel. Com o advento da Era Cristã, sendo os seguidores de Jesus chamados cristãos, a atividade educativa da igreja passa ser uma grande responsabilidade pois é uma ordenança do nosso MESTRE “ Ide fazei discípulos de todas as nações ,batizando-os, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”

A educação cristã orienta o crescimento bíblico-espiritual daqueles que o Senhor acrescenta a igreja por meio da pregação do evangelho. É responsabilidade de toda a igreja e dos seus líderes em particular cuidarem para que todas as atividades eclesiásticas sejam direcionadas quanto ao aspecto bíblico e espiritual de forma que cada ato da congregação contribua como experiência significativa e atinja o íntimo dos participantes, produzindo os efeitos definidos por Deus e sua Palavra. “Até que todos cheguemos á unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus.”(Ef4.12).                                                                          

Assim como as regras de homilética se aplicam á pregação do evangelho e as regras de hermenêutica se prestam à interpretação bíblica, de igual modo os princípio de didática são os mesmos utilizados na educação cristã. Por esse motivo aqueles que se propõe a ensinar no ambiente da igreja deve familiarizar-se com esses princípios, a fim de que possa ministrar com eficácia a palavra de Deus

A didática envolve basicamente o ensino e o aprendizado. Ao ensinar, o professor não apenas transmite ao aluno informações que este desconhece ou conhece muito pouco, como também o orienta no processo de aprendizado, estimulando-o a aprender e procurando desenvolver-lhe os potenciais. Ao aluno satisfaz alguma necessidade, e esse aprendizado acabe produzindo nele uma mudança de comportamento (até mesmo uma transformação espiritual) e uma independência que lhe permite caminhar sozinho, seja no campo profissional, seja no caminho da fé.

Recursos a serem usados

Em didática, recurso é todo meio físico empregado para estimular o aluno a aprender. Entre eles, podemos citar: cartazes, computador, equipamento de multimídia, filmes, gráficos, livros, mapas, murais, lousa, retro-projetor. Esses meios tornam-se mais eficientes quando combinados  som e imagem. Estudos revelam os percentuais de aprendizado nas seguintes circunstâncias

METODO DE  COMUNICAÇÃO APÓS 3 HORAS LEMBRANÇA 3 DIAS DEPOIS
Quando o professor apenas fala         70%       10%
Quando o professor apenas mostra        72%      20%
Quando o professor usa uma combinação de falar e mostrar        85%      65%

      Os recursos que combinam som e imagem são denominados “áudio-visual”. Ferramentas como o multimídia que já vem substituindo o nosso útil retro-projetor é utilizado para reforçar e ressaltar o que o professor está dizendo.

Apredizado e retenção

O aprendizado pode se dar por meio dos cinco sentidos, nos seguintes percentuais:

  • 1%    pelo paladar
  • 1.5% pelo tato
  • 3,5% pelo olfato
  • 11% pela a audição
  • 83% pela visão 

Contudo, além do aprendizado temos de considerar também quanto conservamos daquilo que aprendemos. Um estudo revela que retemos:

  •  10% do que lemos;
  • 20% do que escutamos;
  • 30% do que vemos
  • 50% do que vemos e escutamos;
  • 90% do vemos ouvimos e logo realizamos

Na tarefa didática, destacamos sete elementos:

O primeiro, é o professor, cuja responsabilidade é levar a efeito os objetivos educacionais.

O segundo, é o aluno, em quem se concentra esses objetivos.

O terceiro, são os recursos utilizados para motivar o aluno a aprender.

O quarto, os objetivos (qual o alvo?).

O quinto, é o conteúdo, isto é , aquilo que será ensinado.

O sexto, são os métodos, utilizados para melhor adaptar o ensino ao modo de ser do aluno.

O sétimo, é a avaliação, que permite tanto a verificação do progresso do aluno quanto à eficácia do ensino ministrado.

Ao educador cristão, interessa conhecer os princípios bíblicos que orientam o ensino religioso. Com isso; ele poderá apoiar o seu ministério sobre as bases seguras e infalíveis das Escrituras. Interessa-lhe também conhecer o desenvolvimento do ensino cristão na história eclesiástica, a fim de aprender com os erros e acertos da própria igreja e de outros educadores cristãos ao longo de todos esses séculos. Sem esquecer, é claro, aquele que é o exemplo maior para quem se dedica a ensinar a Palavra de, DEUS: Jesus Cristo, o Mestre por excelência.

A educação cristã é uma necessidade, pois a educação secular, embora tenha seus incontestáveis métodos e contribua de fato para o melhor desempenho daqueles vocacionados para o ensino bíblico, não foi idealizada para proporcionar crescimento espiritual. Pelo contrário, até esta impregnada de conceitos conflitantes com a Palavra de Deus. É também a educação cristã responsável pela formação de novos obreiros e pela preservação da sã doutrina.

Esses propósitos colocam grande responsabilidade não só sobre o educador cristão, mas também sobre a igreja e a liderança, sem falar no aluno, que dotado de talento e potencialidades, tem o dever de se preparar a fim de que possa cumprir a missão para a qual Deus o designou.

É o nosso objetivo neste momento mostrar o aspecto prático da educação cristã e os resultados que dela podem ser obtidos, não somente em crescimento numérico, mas também pela edificação espiritual daqueles que compõem a Igreja de Jesus Cristo. Se nosso desejo é que o evangelho, não apenas seja conhecido entre as nações, mas que as muitas almas “acrescentadas” á Igreja de Jesus perseverem na “doutrina dos apóstolos” (At 2.41). Precisamos aplicar o método de Jesus, utilizando todas as ferramentas disponíveis para este fim.

JESUS – O MESTRE

Não devemos confundir o ministério de Jesus, olhando-o apenas como Mestre e esquecendo-nos que Ele é, em primeiro lugar, nosso Salvador e Senhor. Durante seu ministério, Jesus pregava e curava, mas o ensino representou uma boa parte de suas atividade terrena, (MT 4.23) “Jesus Percorria toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda a sorte de doenças e enfermidades entre o povo”.       

Ele ensinava sempre que surgia a oportunidade e, freqüentemente criava essas oportunidades por meio de atos ou palavras que despertasse a curiosidade dos seus ouvintes. Ele ensinava a poucos (Jo 3.3-21), ou a muitos (Mc 6.34); ensinava no templo (Mc 12.35), nas casas (Mc 2.1,2), ou ao ar livre (MT 5.1). Seus métodos eram os mais variados. Ele pregava sermões (Mt 5), usava ilustrações (MT 5.13-16) ensinava por parábolas (Mt    13.3), ou mesmo realizava um milagre para ensinar (MT 12.9-13).

Comumente os discípulos, os amigos e mesmo os inimigos, se dirigiam a Jesus chamando-o Rabi ou Mestre. Ele mesmo assim se declarou: “Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem; porque eu o sou” (Jo 13.13). 

Devemos ensinar porque Jesus ensinava e porque assim Ele ordenou (Mt 28.19,20). Se cuidarmos melhor da educação cristã de nossos filhos, e dos novos convertidos, veremos nossos templos mais cheios e menos de nós choraremos pela a salvação de nossos filhos adultos. Muitos se desviam, levados por ventos de doutrinas (Ef 4.14) ou queimados pelo sol das circunstâncias diárias por falta de raiz espiritual (MT 13.6) e de uma base na Palavra de Deus.

O ENSINO DOS APÓSTOLOS

Alem de ensinar em toda e qualquer ocasião àqueles que se dispunham a ouvi-lo, Jesus procurou treinar um grupo especial de educadores – OS APÓSTOLOS.  Eles deveriam dar continuidade à sua missão, “pregar o evangelho do reino e ensinar a todas as nações”. Atos 2.42 diz que os novos crentes perseveravam na doutrina dos apóstolos. Isto acontecia porque eles a ensinavam.

O livro de Atos dos Apóstolos é uma crônica na qual encontramos os apóstolos ensinando às ovelhas de Cristo. Paulo e Barnabé estiveram por um ano em Antioquia em uma missão (At 11.26) ensinando e preparando educadores que ali ficariam e ensinariam.

Em Éfeso, Paulo esteve por três anos (At 20.31),e em Corinto ele permaneceu um ano e seis meses (At 18.11), sempre ensinando a Palavra de Deus. Paulo foi sem dúvida, o maior educador da igreja Primitiva, mas os outros apóstolos também exerceram com êxito este precioso ministério. As epístolas são  provas do quanto eles se preocupavam com o ensino as sã doutrina.

As perseguições que tiveram início com a morte de Estevão continuaram por três séculos. Durante este período, os pais da Igreja não cessaram de ensinar. Escondidos nas casas ou mesmo nas catacumbas de Roma, eles ensinavam aos que se convertiam ao Cristianismo.

Como na história de Israel, depois de algum tempo, os novos líderes da igreja Primitiva deixaram de valorizar o ensino. Aos poucos os cristãos começaram a afastar-se dos ensinos de Cristo. A Igreja principiou a dar maior valor aos ritos e as tradições. Cristo passou a ser colocado em segundo plano, enquanto que os métodos ensinados por Ele foram deixados de lado. Foi preciso uma intervenção especial de Deus para corrigir o rumo que a igreja tomava.

 A Responsabilidade continua…  

A história secular registra o grande evento da reforma. Deus levantou homens como Lutero, para reconduzirem seu povo ao caminho da verdade. A Bíblia foi traduzida por Lutero e deste então muitos livros foram escrito para ajudar-nos a pôr em práticas ensinos de Cristo.

Deus deixou bem claro o que deseja que façamos a este respeito. E 2 Timóteo2.2 esta escrito: “E o que de minha parte ouviste…transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.” 

Autoria: Jurandir

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